Vou transcrever neste post algumas lembranças e experiências da minha primeira viagem à Amazônia. Em um grupo de 20 pessoas, entre os dias 16 e 20 de maio, participei do projeto Formadores de Opinião, do Exército Brasileiro. A iniciativa leva estudantes e professores de jornalismo para conhecer a região amazônica e o trabalho dos militares nas fronteiras.
A Amazônia é um dos locais mais lindos que eu já vi. As matas, os rios, as comunidades indígenas, as populações ribeirinhas, a culinária (ainda sonho com um filé de Pirarucu que comi em São Gabriel da Cachoeira-AM), tudo merece destaque. A beleza e a imponência da região é difícil de transcrever. Nas palavras de Alexandre Bastos, amigo que também participou da viagem, “é impossível não se sentir ufanista depois de visitar a Amazônia”. Não poderia perder a oportunidade de escrever um texto para o blog sobre uma viagem tão especial.
Há uma diferença absurda de umidade entre a região Norte e o Planalto Central. Para mim, nascido e criado em Brasília, foi um choque respirar um ar com mais de 20% de umidade. Quase engasguei com tanta água suspensa. Apesar disso, me acostumei em pouco tempo. Difícil foi aguentar o calor que não se dissipa em momento algum (em Manaus, a temperatura beirava 30ºC às três da manhã).
Percebi também o grande número de estrangeiros nas ruas e praças, principalmente em Manaus e Boa Vista. Em 20 minutos de caminhada no centro da capital amazonense, cruzei com cinco chineses tomando açaí e encontrei dois casais de norte-americanos tirando fotos em frente a um museu.
Em Manaus vi, pelo menos, uma lan house por esquina, geralmente lotada. Essa informação reforça os dados de pesquisa da Hitwise, serviço da Serasa Experian para marketing digital, que li em abril deste ano. O estudo mostrou que a região Norte foi a que mais ganhou espaço na web ao longo dos três primeiros meses de 2011. Falando em internet, fiz amizade com um tenente em Manaus e trocamos mensagens regularmente pelo Facebook. Grande abraço, Tenente Libório!
Chamou minha atenção como é difícil se locomover na Amazônia, onde faz muito mais sentido contar as distâncias em horas (ou até dias) do que em quilômetros. A logística para transporte é assombrosa de tão complicada. Quem reclama por pagar R$ 2,80 por litro de gasolina, tomaria um susto em alguns postos de combustível, como em São Gabriel da Cachoeira-AM, onde o litro de gasolina em custa R$ 3,65. Em lugar das rodovias, o combustível é distribuído por hidrovias. Pelos rios, um trajeto de dois mil quilômetros pode levar até 60 dias para ser percorrido. É quase a distância entre Belém-Brasília (2140 km), viagem de cerca de 30 horas de ônibus.
Realizei algumas vontades antigas durante essa viagem. Naveguei sobre o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Sobrevoei, de helicóptero, a floresta amazônica, tão extensa a ponto de encobrir o horizonte inteiro. Visitei uma aldeia indígena perto de São Gabriel da Cachoeira e até participei de uma dança típica dessa tribo. Só faltou nadar no Rio Amazonas, mas fica para a próxima visita.
E a comunicação?
Como a viagem não foi só a passeio, compartilho algumas experiências jornalísticas na região amazônica. Antes, vale dizer que todos os horários eram apertadíssimos. A programação incluiu muitas palestras, apresentações, visitas a centros de treinamento etc. Oportunidade para entrevistas, apenas durante os deslocamentos de ônibus, avião ou barco e nas refeições. Imagine a qualidade das gravações de uma entrevista gravada em um ônibus percorrendo uma estrada de terra. É, ficou bem ruinzinha.
Valeu muito a pena a experiência de conversar com os indígenas amazonenses. Como a tribo que visitamos tem contato frequente com militares e visitantes, não tivemos problemas com o idioma. Percebi na maneira de andar e falar que a cultura deles, tradicional e riquíssima, ainda está bem viva. Dá gosto de ver o respeito que eles pregam pela floresta e seus habitantes, sejam eles humanos, da fauna ou da flora.
Conexão à internet, apenas nos hotéis de Manaus e Boa Vista. Apesar da quantidade de acessos na região ter aumentado bastante, quase não tínhamos tempo livre durante a viagem. Como as apurações que eu fiz na Amazônia foram utilizadas em uma reportagem para veículo impresso (“Campus”, jornal-laboratório da Universidade de Brasília), a falta de internet não foi um entrave para meu trabalho jornalístico.
Na volta, todos os participantes do projeto chegaram à uma constatação interessante. Sob o ponto e vista da comunicação, a inicitativa pode ser encarada como uma ação de gestão da imagem do Exército Brasileiro. A ideia de todo o projeto é mostrar para os alunos de jornalismo (os futuros formadores de opinião) a atuação dos militares na proteção das fronteiras nacionais. Isso demonstra a preocupação do próprio Exército em passar uma boa imagem para jovens, adultos, profissionais de mídia e, de maneira geral, para o cidadão brasileiro.
Rafael Qinan
Repórter, estagiário da Azimute Comunicação
rafael@azimutecomunicacao.com.br

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