A Amazon, uma das empresas líderes na venda de livros, CDs e produtos eletrônicos pela internet nos Estados Unidos, anunciou recentemente que suas vendas de e-books (livros eletrônicos) já superaram a de livros físicos. Segundo um levantamento feito pela empresa entre o dia 1º de abril e 19 de maio deste ano, para cada 100 livros impressos vendidos, 105 exemplares em formato digital foram comercializados. A comercialização de e-readers (aparelhos portáteis para leitura digital) também apresenta crescimento expressivo. Segundo a Gartner Consulting, serão cerca de 11 milhões de unidades vendidas em 2011, um crescimento de 68% em relação ao ano anterior.No Brasil, entretanto, os e-readers ainda são praticamente desconhecidos (ainda nem tem palavra em português para denominá-los...). “Não vende no Brasil porque é caro”, você poderia pensar. Realmente, esta é uma das razões que explicam as poucas vendas por aqui. A versão mais simples do Kindle, leitor digital da Amazon, é comercializada nos Estados Unidos por US$ 139, o equivalente a R$ 225. Entretanto, é difícil encontrar esse mesmo produto à venda no Brasil por menos de R$ 800 reais.
Outra razão para o baixo número de vendas de e-books é o modelo de compra do livro digital. Não é necessário ir até uma livraria, mas é preciso ter acesso à internet e possuir um cartão de crédito para efetuar a compra. Segundo dados do instituto de pesquisa Ibope, somente 40% da população brasileira tem acesso à internet, seja em casa ou no trabalho (aproximadamente 73 milhões de pessoas). Nos Estados Unidos, a proporção de habitantes conectados gira em torno de 75%.
Várias livrarias no Brasil já comercializam livros digitais em suas páginas na web. Apesar de boa parte dos títulos serem internacionais e/ou em língua estrangeira, muitos livros nacionais já estão disponíveis em português (inclusive de autores clássicos como Machado de Assis). Apesar disso, a quantidade de e-books vendidos nos últimos dois anos em terras tupiniquins é quase nula se comparada aos números norte-americanos e europeus.
Nós, da área de comunicação, já estamos acostumados a ouvir aquela velha pergunta sempre que uma nova mídia ou tecnologia surge: “será o fim dos livros impressos?”. A história já nos mostrou que novas tecnologias raramente extinguem as suas antecessoras (a exemplo do surgimento do rádio, da televisão, do CD, da internet, do DVD). No caso dos livros, o problema é outro. A média de leitura do brasileiro é de 1,8 livros por ano (incluindo livros didáticos). Por isso, antes mesmo de discutirmos se essas novas tecnologias prejudicarão a leitura, é preciso estimulá-la. E rápido.
Rafael Qinan
Repórter (estagiário) da Azimute Comunicação
rafael@azimutecomunicacao.com.br
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