quinta-feira, 19 de maio de 2011

Catadores virtuais

Todos os dias, ao abrir minhas cinco caixas de mensagens, me deparo com uma quantidade incrível de mensagens indesejadas. Perco, no decorrer do dia, um tempo precioso deletando centenas de spams, que chegam em velocidade assustadora, em uma proporção infinitamente maior do que os e-mails que realmente me interessam. E isso, evidentemente, é a realidade de grande parte das pessoas que acessam a internet.

Hoje, ao sair de casa para o trabalho, vi um casal revirando uma caçamba de lixo, selecionando materiais recicláveis, restos de alimentos consumíveis e outros itens reaproveitáveis. Guardadas, é claro, as devidas proporções, não consegui deixar de me comparar aos catadores, eles na caçamba, eu na caixa de mensagens. Isso presta? Sim, guarda. Isso não presta? Então joga fora.

Na minha caçamba (ops, caixa de mensagem), estou cercado de lixo por todos os lados. São propagandas de pneus, eletrônicos, relógios rolex, babás eletrônicas, poltronas de massagem, remédios para impotência (ou para mais potência), viagens para os quatro cantos do mundo, técnicas para aumentar o pênis (um conhecido comprou e recebeu uma lupa) ou para perder cinco quilos de gordura por semana, links para ver as mais belas filipinas nuas ou em atos libidinosos, correntes “passe agora ou alguém da sua família morre”, receitas infalíveis para ficar milionário, mensagens poéticas em PowerPoint, convites para eventos sobre os temas mais diversos nos lugares mais distantes e, é claro, vírus de todos os tipos. Ou seja, o cardápio é amplo e diversificado, mas de péssima qualidade e inadequado para o público.

Do ponto de vista da comunicação, é possível comparar a atuação dos spammers com a de alguns assessores de imprensa, que mandam releases para deus e todo mundo, sem se preocupar se a mensagem vai para a pessoa ou mesmo para a editoria correta. Ou seja, dão tiro de canhão para matar passarinho. A falta de foco e estratégia, além de reduzir significativamente o resultado que poderia ser obtido para o cliente, consegue, muitas vezes, angariar a má vontade dos editores e repórteres, da mesma maneira que os spams angariam a nossa. E quem perde não é só o assessor, mas também o cliente, já que ambos acabam mal vistos pelos coleguinhas.

Em tempo, voltando aos spams, vale uma dica que aprendi com especialistas. Em boa parte das mensagens indesejadas, há a tal frase “clique aqui para ser removido”. Não clique. Como os spammers compram listas com milhares ou milhões de endereços eletrônicos, muitos deles antigos, a frase serve para checar quais são válidos. Ou seja, ao clicar no link de remoção, estamos na verdade dizendo: “pode me encher de spam porque o meu e-mail está em uso”.

Alessandro Mendes
Diretor Executivo da Azimute Comunicação
alessandro@azimutecomunicacao.com.br

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